histografia brasileira

 ANO 1930: GILBERTO FREYRE – O REELOGIO DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA

Este capítulo do livro de José Carlos Reis vem debater o novo impulso a historiografia local, traga por Gilberto Freyre na obra Casa-grande & Senzala, que segundo o autor, reelaborando a dominação portuguesa na organização da identidade brasileira.

Ele começa pincelando a visão dos analistas apologéticos de Freyre: Leite, Merquior, Motta, dentre outros. Esses primeiros analistas vão delimitar a sua visão sobre a obra de Gilberto Freyre como um complexo do passado, em sua representatividade, vivida pelo autor de Casa-grande & Senzala. Ele fala do passado brasileiro como se fosse intimo do ocorrido, trazendo uma trajetória social apreciável da época, para os dias atuais.

Outros analistas como Costa, Barbu, Chacon e Lima, incrementam contextualizando a formação de Freyre como sendo norte–americana, mas com nítida influencia alemã, o tornando um historicista. Para tais analistas, essa obra é considerada perfeita, mostrando toda uma perspectiva potencial de um Brasil mestiço.

Freyre e Varnhagen

O autor Carlos Reis faz uma comparação entre as obras de Freyre e Varnhagen, como mentoras do elogio a colonização portuguesa, mostrando os pontos em que ambas convergem e que se tornam convexas.

Tais autores se afirmam que somente o sistema escravocrata e o latifúndio implantado pelos portugueses teriam a capacidade de sobreviver aos intemperes vividos no Brasil. Para Freyre, contrariando Varnhagen, a escravidão não “manchou” o nosso país, ao contrario, ela se tornou necessário para o desenvolvimento da sociedade da época. Acrescenta ainda que as alternativas propostas por Varnhagen a substituir a escravidão daria margens apenas para o inchaço de europeus no Brasil, criando uma sociedade homogênea, com menos riqueza cultural que a de hoje. Freyre vê a cultura negra como rica, e sua existência no Brasil necessário como suporte para a permanência dos portugueses nesse país. Se Varnhagen não  vê com bons olhos o latifúndio e a escravidão o mesmo não acontece com Freyre.

Reis vai debater a ausência de criticidade a obra de Freyre, pois este, segundo o autor, em  vez de projetar um futuro para o Brasil que entrava em um período moderno e  de mudanças volta-se  ao passado para tentar legitimar a dominação e a colonização portuguesa.

Freyre e Capistrano

As obras de Freyre e Capistrano são similares, segundo o texto, por muitos aspectos, principalmente quando adentram  na perspectiva de uma historia cultural, mas segundo Reis se distanciam quando a posição social tomada pelos autores: Freyre da continuidade a percepção varnhageniana quando a dominação portuguesa, é “continuísta, conservadora, passeísta, lusófila, patriarcalista, escravista, conservadora. Seu olhar é um olhar ‘branco’, aristocrático, elitista, embora sofisticado”. Já Capristano quebra essa perspectiva tomando uma corrente de pensamento diferente.

Freyre e os marxistas

Segundo o texto os maiores opositores a obra de Freyre são os marxistas por seguirem a perspectiva de lutas de classe e classe social. Para eles o livro Casa-grande & Senzala encobre as reais contradições existentes entre senhor e escravo, alinhando-os harmonicamente em conjunto chamando de democracia cultural.

Casa grande &  senzala: pressupostos e Teses

José Carlos Reis vai descrever três temas que vão influenciar Freyre na elaboração de Casa Grande & Senzala:

I.        A visão de Freyre do mestiço brasileiro a partir de um olhar externo ao Brasil;

II.        A quebra com o marxismo, elaborando uma abordagem psicológica ou psicofisiológica;

III.        A defesa portuguesa com que Freyre toma partido.

O autor vai destacar cinco teses da obra de Gilberto Freyre, que vão caracteriza sua obra:

  • Na primeira tese Freyre responde como aconteceu o encontro entre as três raças que formaram o povo brasileiro. Para ele esse encontro aconteceu primeiro pela dominação técnica e militar dos portugueses sobre índios e negros, que em seguida formou uma confraternização tensa e masoquista, que os tornou desiguais. Mas as necessidades sexuais e sociais obrigaram os vencedores e vencidos a se unirem, formando a miscigenação brasileira.
  • A segunda tese discorre por que os portugueses vencedores não se isolaram das demais raças, mas deixaram ser possível a miscigenação. Segundo Freyre, citado pelo  autor, o português já era miscigenado antes de chegar ao Brasil, social e culturalmente,  pertencendo a Europa e com influencia africana, por isso, permitiu-se a misturar a outras raças, formando uma democracia racial. Segundo ele essa miscigenação só fez bem a formação do povo brasileiro.
  • A terceira tese trará a resposta sobre onde aconteceu o encontro dessas três raças, lideradas pelos portugueses. Pensado a partir do ponto de vista do português, Freyre descreve esse encontro tendo como ponto crucial a casa grande e a senzala como extensão dessa. Para ela, somente a criação de uma nova sociedade, formada a partir das plantations e escravismo, seriam capaz de favorecer a estadia do europeu nos trópicos.
  • A quarta tese trabalhará a questão da debilitação da raça brasileira a partir da miscigenação. Freyre discorda dessa afirmativa, revelando que a falta de robustez do povo brasileiro se deveu a carência alimentícia, a sifilização, o alcoolismo e a ausência de higiene. Esses pontos vão ser causas mais relevantes do que cruzamento de raças. Para ele a miscigenação criou um tipo de homem adaptável aos trópicos.
  • A quinta tese vem debater os anseios sociais e políticos dessa sociedade mestiça oriunda da mistura das três raças no Brasil. Freyre vê essa relação entre senhor e escravo como uma relação masoquista, onde o escravo vê seu senhor como um exemplo daquilo que ele deveria ser, ou seja, aquele que aceita a condição social imposta. Ele descreve que a presença do negro no Brasil, formando a miscigenação,  conseguiu equilibrar o antagonismo entre as três raças e os diferentes modos de produzir, reinando aqui uma democracia social. Quanto a política ele aponta o poder absoluto como o mais adequado, porquanto o pai, ou senhor, é aquele que rege o poder, pois sendo que sua família (entendo o escravo e o mestiço em sua relação afetiva com  o senhor, portanto é parte da família) é um todo coesa  com as decisões por aquele tomada.

O tempo histórico para G. Freyre é um tempo lento, do ócio e do lazer. Os brasileiros não gostam do trabalho, pois preferem mandar fazer. Existe o preconceito, mas não a separação das raças. Freyre acredita em uma confraternização social entre os brasileiros, mostrando que há uma democracia social.

Para os interpretadores de Freyre  ele trabalha o tempo unificando a tradição com a modernidade, contornando os conflitos, colocando-os ao encontro  com a doçura existente entre o senhor e o escravo. O tempo é estático, ignorando as transformações. Ele olha para o futuro do Brasil com pessimismo, prefere o passado ao presente.

Considerações sobre o texto

  Observando a crítica de José Carlos Reis a obra de Gilberto Freyre, podemos perceber duas características importantes do debate:

Primeiro a crítica a obra, que vai explicitar o olhar português de Freyre sobre a formação do povo brasileiro, colocando o luso como superior, dominante por meios legais, vencedor de uma disputa econômica e política.

Segundo, a contribuição a historiografia brasileira, sendo que esse autor vai tentar derrubar as barreiras que impulsionava o Brasil a uma sociedade inferior as demais pela sua formação racial miscigenada. O grande erro nesse embate é exatamente a influência portuguesa ainda como dominante.

REFERENCIAS BIBLIOGRÁFICAS

 REIS, José Carlos. As identidades do Brasil- de Varnhagem a FGC. Fundação Getúlio Vargas. Editora – Rio de Janeiro, 2003, p.p 50-82.

 

por: Maria Francisca Freire de Freitas

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