A ÁFRICA E A ESCRAVIDÃO – A EXPORTAÇÃO DE ESCRAVOS, 1600-1800

LOVEJOY, Paul. Escravidão na África: uma História de suas

Transformações. Rio de Janeiro: Civilização Brasileira, 2002.

O autor Paul E. Lovejoy é um norte americano que fez Graus: B.Sc., Clarkson College of Technology, 1965, M.Sc., Universidade de Wisconsin, 1967, Ph.D., Universidade de Wisconsin, 1973. Atualmente é membro da Sociedade Real do Canadá Research Chair in História da Diáspora Africano. Recentemente lançou livros como Hugh Clapperton para o Interior da África: Registros da Segunda Expedição 1825-1827 (Leiden: Brill) (co-editado com Jamie Bruce Lockhart; Comércio escravidão, e de Produção na África Ocidental: Sociedade Escravo no califado de Sokoto (Trenton NJ: Africa World Press); Ecologia e Etnografia do Comércio muçulmana na África Ocidental (Trenton NJ: Africa World Press); Revolución, Independencia y Emancipacion: La lucha contra la Esclavitud (San José: UNESCO), co-editado com Rina Cáceres Gómez; editadas, Donald G. Simpson, Sob a Estrela do Norte: Comunidades Negras em Upper Canada antes Confederação (1867), New Brunswick NJ: Africa World Press; dentre outras como artigos em livros e conferencias. [1]

Este autor desenvolve a tese de que a escravidão não é uma novidade europeia, e sim já existia na África desde muito tempo, porém organizada de forma marginal à sociedade. Para ele, a escravização não era uma  instituição social africana,  argumentando que o escravo se tornou alvo de mercado, quando houve a intervenção dos muçulmanos e europeus, que modificaram a condição social do escravo, tornando a escravidão em uma instituição econômica no continente. O escravo não deixa de ser uma propriedade de seu dono, mas o que vai modificar são as formas de utilização dos cativos.

Para contextualizar sua tese, o autor começa descrevendo seu conceito sobre a escravidão. Para ele o escravo é uma propriedade, portanto, são como bens móveis, na medida em que estão sujeitos à compra e venda; o escravo é o “estrangeiro” por excelência; o uso comum da coerção e/ou violência física; a força de trabalho encontra-se à disposição de seu dono; o escravo não possui direito à sua sexualidade; Em geral, a condição de escravo é herdada.[2]

 

A escravidão era organizada de forma a serem respeitadas algumas regras sociais  quanto ao escravo. Existia o concubinato, e a liberdade poderia ser alcançada por aquelas escravas que eram tomadas pelo seu senhor e após a sua morte, ou aquele que tivessem sido escravizado por divida, após quitá-la. As formas de escravização variavam entre a tradicional da África e a muçulmana.

 

As formas de reposição do contingente de cativos eram obtidas de maneira violenta, pois as três formas de adquiri-los era guerra, sequestro e banditismo. Além dessa forma violenta, existia a escravização por divida e as de forma espontânea. Até as formas de reprimir e controlar os escravos eram violentos, pois além dos castigos impostos, os maltrato eram feitos na frente de todos para que servissem de exemplo para os demais.

Vai despontar três tipos de organização de social: a matriarcal,  o patriarcal e o muçulmano. Em cada tipo de organização criou-se formas de absorção do escravo na sociedade, e também diferentes formas de utilização deste, conforme a necessidade econômica e de produção.

Lovejoy divide a escravidão africana em três períodos: 1350-1600, 1600-1800 e 1800-1900. No decorrer ele explica que a escravidão enquanto instituição, organizava todo funcionamento da sociedade da  África, sendo utilizado na política (administração) nos serviços domésticos, para sacrifícios religiosos, e, em menor parte, na produção econômica. Também vai expondo que até o século XV/XVI, a produção da escravização se dava de maneira moderada, ou seja, havia a troca de escravos, eles eram adquiridos por dividas, pela guerra ou pela necessidade de abrigo, mas esse processo não afetava o funcionamento da sociedade.

A partir desses séculos acima citados, a incursão dos muçulmanos nas fronteiras africanas e consequentemente dos europeus nos portos africanos, vão desestruturar a organização dessa instituição social/econômica.

O escravo vai passar a ser o principal produto de troca extracontinental da África, e a interligação com o comercio internacional vai acelerar um processo de exportação da nação africana para o mundo.

Como a sexualidade (reprodução) dos escravos eram controlados por seus senhores, a sua reprodução se dava nos moldes para atender as necessidades de grupos. Muitos dos homens eram castrados e muitas mulheres (bonitas) eram tomadas como concubinas, o que depois da morte de seu senhor tornavam-se livres. Os filhos desse relacionamento também eram livres. Como a mercadoria exportada eram os homens em bom estado de trabalho, o autor vai decorrer em seu texto que a sociedade africana vai ter uma desestrutura, pois vai haver um grande contingente de homens sendo deslocados de seu território e continente, o que causou um desequilíbrio entre os gêneros, e consequentemente na produção de reposição de escravos.

O autor vai mostrar também que com a inserção do mercado internacional na estrutura escravista no continente africano, regiões que antes exportava pouquíssimos escravos por ano, vai passar a traficar e exportar milhares e milhares deles através das exportações transatlânticas.

Em todo o texto o autor procura deixar clara a transformação da escravização que existia na África de forma marginal, em um modo de produção escravista, a partir do contato com os europeus e muçulmanos, seja através do tráfego transatlântico ou pelo deserto do Saara, causando uma enorme alteração na sociedade africana.

Portanto, em analise a tese do autor Lovejoy, percebe-se que ele procura demostrar o quanto o contato europeu transformou a sociedade africana, colocando a escravidão como ponto principal da economia e de desestruturação social. Podemos ressaltar essa visão positiva do autor, pois, a escravidão na África, como descrita em seus textos, em muito se parecia com as condições de escravização do mundo antigo, onde o processo de exploração existia para com os cativos, mas que estes não se constituía em um meio de viver de toda uma sociedade.

O que o autor esquece-se de ressaltar em seu texto, que os navios europeus não saíam dos portos africanos carregados apenas de escravos, mas também de metais preciosos que iam complementar a luxuria dos senhores europeus. Sem contar na aparate cultural que esse sistema exacerbado de produção de escravos causou. Muitas tribos ou comunidades foram dizimadas, levadas, dissolvendo seus costumes e hábitos, que acabaram sendo reprimidos e destruídos mundos afora.

Ressalto outro ponto importante que o autor coloca: é a questão da demografia, que esse sistema destruiu. Foi totalmente desestrutura quando se tirou o direito de muitos africanos e africanas (falo de cativos) de se reproduzirem, limitando o crescimento do continente, econômica  e culturalmente. Ademais destruíram todo um sistema organizado de produzir e governar.

por: Maria Francisca Freire de Freitas


[2] ESTEVEZ, Alejandra Luisa Magalhães.  Revista África e Africanidades – Ano I – n. 3 – Nov. 2008 – ISSN 1983-2354

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Uma resposta para A ÁFRICA E A ESCRAVIDÃO – A EXPORTAÇÃO DE ESCRAVOS, 1600-1800

  1. edna disse:

    isso nao tem nada a ver com exportação de escravos na africa😦

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