RESENHA DO TEXTO: ANO 1850: VARNHAGEN – O ELOGIO DA COLONIZAÇÃO PORTUGUESA

O texto do autor José Carlos Reis, traz um debate sobre os livros produzidos por Francisco Adolfo Varnhagen, sobre a História Geral do Brasil.  Dentro dessa perspectiva ele acentua seus comentários em partes: quem foi Varnhagen; quais as perspectivas  na criação do IHGB; as críticas a obra daquele historiador e; o que contempla a obra de Varnhagen.

O autor José Carlos Reis começa o texto falando que Varnhagen é considerado o pai da história do Brasil, pois foi o primeiro a seguir um método e a toma os documentos oficiais como vestígios históricos, elaborando uma perspectiva futura de uma nação brasileira.

Varnhagen era um filho do Brasil, mas com raízes europeias, e de linhagem materna portuguesa. Foi criado e educado em Portugal, portanto, se verá ao longo do texto produzido pelo autor em questão que isso irá determinar sua escolha de produção da história brasileira. Também devemos considerar que fazia parte da elite oligárquica brasileira, o que lhes renderá os vínculos à família real introduzida no Brasil.

O Instituto Histórico e Geográfico Brasileiro – IHGB, foi  criado um pouco antes da independência do Brasil. Isso fará com que Varnhagen ganhe espaço para a produção da pesquisa histórica quando o imperador D. Pedro I chega ao poder. Segundo José Carlos Reis, o imperador precisava de uma história que legitimassem a supremacia portuguesa na construção da nação brasileira, que lhe desse uma identidade dominante. Então a obra de Varnhagen encontrou o suporte perfeito para sua execução. O instituto serviu para consolidar esse campo dominante da historiografia brasileira e que perdurou por muito tempo: geograficamente situou cada espaço do território brasileiro, dividindo cidades, estados, vegetação, clima, etc. historicamente enfatizaram a historia dos heróis portugueses, ocultando as contradições internas do cotidiano vivido pela diversidade cultural brasileira.

Outro pensador que vai ser destacado no IHGB será Von Martius, por elaborar um método para a escrita da história do Brasil. Seus argumentos, assim como os de Varnhagen, terão suas teses contestadas por historiadores mais modernos, exatamente por trazer características da dominação portuguesa como fundamentais para a formação da identidade da nação brasileira, além de formular uma ideia que o historiador deve elabora uma história de um Brasil unido, patriótico, centralizado. E é esse tipo de história que  Varnhagem tentou fazer.

Como toda tese elaborada, a obra de Varnhagem vai ter críticos que o avalia positivo e outros negativamente. Para J.H. Rodrigues, A. Canabrava e P.M. Campos, Varnhagem foi um grande historiador que se propôs e elaborou uma obra com vasto cunho de informações sobre a colonização brasileira. Para o IHGB, segundo o texto, esse autor era visto com reservas.

Para os críticos ferrenhos de Varnhagem, como N. Odália e Capistrano Abreu, essa obra apresenta brechas na sua constituição: Odália  vê a obra com um “estilo literário monótono”, patriótico,  em que não mostra as tensões e contradições internas do país; Capistrano é mais cauteloso, considerando a obra de Varnhagem de grande importância para a história brasileira, porém sua história é narrativa, homogênea, e não tolerável aos movimentos sociais.

O autor José Carlos Reis faz uma justificativa à obra de Varnhagem, suscitando-a no espaço e no tempo: o personagem era descendente direto de Portugal, vivia em uma sociedade escravista, pertencia à oligarquia brasileira: então, sua obra vai está embutida com todas essas características peculiares a classe que ele representava.

No descrever da obra de Varnhagem, o autor Reis vai mostrando a peculiaridade do pensamento desse autor: a superficial descrição geográfica; visão  deturpada dos habitantes pré-coloniais; versão incubadora dos ideais portugueses quanto ao resto do mundo, dentre eles o Brasil; uma grande exaltação da nação portuguesa, branca, cristã, como o mentor de uma sociedade justa, crente e civilizada.

Comentário sobre a obra

Ao compreender a obra de Varnhagem, vemos que é uma elaboração de um modelo de sociedade que se desejava projetar para  o Brasil Império. Não se podem descartar os relatos e informação traga por esse autor, mas estuda-la com bastante cautela, pois para a nossa época (ano 2013), é um olhar deturpado, preconceituoso e principalmente elitizado sobre a sociedade. Mas uma coisa podemos afirmar em Martius e Varnhagem: a inserção do negro como escravo na sociedade brasileira acabou por desvalorizar a consciência da nova nação. Não por que o negro fosse inferior por sua cor, mas por que a escravidão elabora um tipo de rancor social que desintegra a sociedade mesmo depois que ela deixa de existe (se é que a escravidão se extinguiu).

Em suma, podemos perceber que a historiografia brasileira está bastante arraigada ao pensamento dominante, e que essa historia política delimitou e delimita o modelo de sociedade em que vivemos.

REFERENCIAS

REIS, José Carlos. As identidades do Brasil- de Varnhagem a FGC. Fundação Getúlio Vargas. Editora – Rio de Janeiro, 2003, p.p 50-82.

Por: Maria Francisca Freire de Freitas

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